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Por que sempre me envolvo com pessoas que não me valorizam?

  • Foto do escritor: Flávia Gobi L. Kipper
    Flávia Gobi L. Kipper
  • há 6 dias
  • 3 min de leitura
Mulher tenta se aproximar enquanto o parceiro está distraído no celular, ilustrando a sensação de não ser correspondida no relacionamento.

Em algum momento, essa pergunta pode aparecer de forma quase inevitável.


Não como algo distante, mas como uma constatação que vai se formando aos poucos — quando nos damos conta de que, mais uma vez, estamos em uma relação em que nos envolvemos mais, nos doamos mais, esperamos mais… e não encontramos o mesmo do outro lado.


Às vezes isso fica claro logo no início. Outras vezes, vamos percebendo com o tempo — em pequenos sinais, em ausências, em algumas atitudes que nos desapontam. Vamos tendo a sensação de que algo importante não está sendo correspondido.


E, conforme isso vai se repetindo, vai ficando cada vez mais claro que talvez não seja só sobre essa relação. Como se, mesmo mudando as pessoas, a experiência emocional fosse parecida.


Então, é natural ressurgir uma sensação de cansaço, de desânimo e até mesmo de angústia, ansiedade. Não apenas pelo que está acontecendo agora, mas pela repetição — pela sensação de já ter se envolvido, já ter dado o melhor de si, já ter esperado, já ter acreditado… e, ainda assim, se sentir novamente no mesmo lugar.


E que lugar é esse?


É o lugar de não se sentir validada, de não se sentir reconhecida, de sentir que não é suficiente — como se nada do que faz fosse o bastante para ser valorizada, amada.


O que pode estar se repetindo sem que a gente perceba


Quando olhamos apenas para cada relacionamento isoladamente, tudo pode parecer desconectado.


Mas, quando ampliamos o olhar, começamos a perceber que existe um fio que atravessa essas experiências.


Na psicoterapia junguiana, essas repetições não são vistas como acaso, mas como expressões de algo que ainda não foi totalmente compreendido dentro de nós.


Como propôs Carl Gustav Jung:

“Até você se tornar consciente, o inconsciente vai dirigir a sua vida e você vai chamá-lo de destino.”

Sem perceber, tendemos a nos aproximar de situações e formas de nos relacionar que nos são familiares — mesmo quando já percebemos que isso nos frustra ou não nos faz bem.


  • nos dedicando mais do que o outro, na tentativa de sermos vistas, reconhecidas, valorizadas

  • nos esforçando para manter a relação, mesmo quando já sentimos que algo importante não está sendo correspondido

  • buscando a aprovação do outro, abrindo mão do que sentimos, pensamos ou desejamos

  • permanecendo em relações que nos frustram, sustentando a esperança de que, em algum momento, o outro mude


E, muitas vezes, o que aparece como dor não é só o que o outro faz — ou deixa de fazer — mas também a sensação de que, dentro da relação, vamos nos afastando de nós mesmas.


Não porque escolhemos isso de forma consciente, mas porque existe uma forma de se relacionar — um padrão inconsciente — que foi sendo construída ao longo da nossa história.


E, enquanto isso não se torna claro, tende a se repetir.


Como a terapia pode ajudar nesse processo


A terapia não olha apenas para o relacionamento atual. Ela nos convida a olhar para a forma como nos envolvemos, para o que sentimos dentro dessas relações, para o que buscamos — e, muitas vezes, não conseguimos nomear.


Ao longo do processo, vamos reconhecendo padrões, entendendo o que nos mobiliza e percebendo como nos posicionamos nas relações.


Esse processo vai acontecendo aos poucos, quando começamos a perceber o que antes parecia automático — aquilo que nos levava, sem que nos déssemos conta, a fazer certas escolhas ou a permanecer em determinados lugares dentro das relações.


E, com o tempo, esse entendimento se aprofunda, favorecendo o desenvolvimento de formas mais conscientes e saudáveis de se relacionar — tanto com o outro quanto consigo mesma.


Um outro olhar sobre o que se repete


Reconhecer que certas experiências têm se repetido ao longo da nossa vida pode ser desconfortável, mas também pode abrir um outro olhar.


Não para se culpar ou tentar controlar tudo, mas para se aproximar, com mais atenção, do que essas experiências estão mostrando.


Porque, muitas vezes, aquilo que mais se repete é também o que mais pede para ser compreendido. E é a partir desse movimento que se inicia o nosso processo de transformação.


Se você sente que este é o momento de olhar com mais atenção para o que está vivendo, será um prazer te acompanhar nesse processo.


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